quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Professores criam jogo 3D para ensinar biologia


Game se baseia nos processos evolutivos dos animais

Fonte: R7

Professores da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Estadual de Feira de Santana criaram um jogo em 3D para ensinar biologia a alunos do ensino médio. 

O que pode parecer brincadeira, deve se tornar objeto de estudo nas mãos dos estudantes, que vão utilizam o jogo para conhecer mais sobre o processo evolutivo dos animais. 

No game, o jogador controla um lagarto, que deve se desenvolver e se reproduzir de acordo com os processos evolutivos. Na segunda fase, o estudante deve deixar o personagem do jogo com as características de um lagarto de verdade. 

No final, o jogador pode controlar uma população de lagartos. O desafio é manter o equilíbrio natural e lidar com a evolução do animal. 

Sharbel El-Hani, professor de biologia que participou do projeto, explica que o game foi baseado na ecologia e na evolução, e abre espaço para a investigação. 

- Ele usa recursos da vida dos estudantes, que têm larga experiência com jogos e videogames. A escola não é muito aberta a isso, mas nesse caso, é ela que se adéqua ao aluno. 

O jogo ainda não está disponível aos estudantes, mas é possível jogar pelo site do projeto Calangos

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sem saber como usar



Matéria publicada na Folha de S. Paulo – 1/2/2012
Por Breno Costa e Renato Machado
O MEC (Ministério da Educação) vai gastar cerca de R$ 110 milhões na compra de tablets para serem usados em sala de aula sem ter produzido um estudo definitivo sobre o uso pedagógico dos aparelhos. Conforme a Folha revelou ontem, o MEC iniciou na semana passada, sem alarde, uma licitação para a aquisição de 900 mil tablets.
A compra total será de, ao menos, R$ 330 milhões, valor mínimo estimado em leilão. Só um terço dos aparelhos ficará com o MEC. O restante deverá ser adquirido por Estados e municípios, que arrecadarão com aproximadamente R$ 220 milhçoes.
O próprio MEC reconhece que o desenvolvimento do método pedagógico para  uso do computador vai acontecer na prática, Os equipamentos serão usados na formação de núcleos, como parte de um plano piloto, em que professores e alunos trabalharão com os tablets para depois disseminarem o aprendizado.
Para efeitos de comparação, o programa Um Computador Por Aluno, do qual a compra dos tablets faz parte, teve um início diferente. Na ocasião, foram fechadas parcerias com universidades que trabalharam no desenvolvimento de conteúdo e na avaliação da nova tecnologia.
Coordenadora do programa ministerial no Sul e no Amazonas, a pesquisadora da UFRGS (Federal do Rio Grande do Sul) Léa Fagundes é favorável ao uso do tablet, mas diz que a discussão sobre a compra do aparelho não passou por pedagogos.
A única audiência pública realizada pelo MEC para subsidiar a compra, em agosto, envolveu só aspectos técnicos, como sistema operacional e tamanho de tela, e não as questões educacionais.
O receio dela é que o tablet seja usado para reforçar o padrão educacional existente. “Tenho medo é de que os governos estejam comprando porque nele cabem 300 livros didáticos. Então, o paradigma não muda”, diz.
AUTONOMIA
O plano do MEC vai nessa direção. A pasta afirma que uma das vantagens do tablet é poder incluir toda a biblioteca do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) num aplicativo.
O professor da PUC-SP Fernando José de Almeida diz que o MEC só deve dar a diretriz inicial, cabendo a Estados e municípios cuidar de projetos pedagógicos.
Almeida também defende que uma parte do aprendizado seja feito na própria sala de aula. “Precisa ter um plano pedagógico, mas também é necessário dar autonomia aos professores”, afirma. O edital para a compra dos equipamentos foi lançado no fim do ano passado, ainda na gestão de Fernando Haddad. O seu substituto, Aloizio Mercadante, é um entusiasta do uso da tecnologia na educação. Em sua posse, dedicou boa parte do discurso para tratar dos benefícios de computadores, tablets e outros.
Professores precisam ser capacitados para essa nova maneira de dar aulas
Por Sérgio Amaral



Livre-docente e coordenador do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação,
na Faculdade de Educação da Unicamp
A aula tradicional está cada vez mais mediatizada pelas tecnologias digitais. Começamos com a introdução do computador, passamos pela lousa digital, até chegarmos aos tablets. Para os professores, a introdução dos tablets em sala de aula deverá trazer uma grande mudança na maneira de dar aula, de apresentar e de discutir o conteúdo com seus estudantes.
O problema não é com os alunos, mas com os professores. Precisamos capacitar os docentes para a utilização didática dos tablets no desenvolvimento das atividades pedagógicas em sala de aula. O professor necessita de uma mudança na maneira de ensinar, precisa de uma adaptação do material didático. É fundamental desenvolver atividades em sala de aula com conteúdos que efetivamente utilizem os recursos tecnológicos dos tablets.
O tablet é pequeno, apresenta certa dificuldade de realizar anotações e outros problemas se compararmos com o livro didático. Mas apresenta recursos com a convergência multimidiática e a conexão com a internet que facilitam a busca e a integração de conteúdo, contribuindo com o processo de aprendizagem.
Para tanto, é necessário que a capacitação dos professores não seja somente instrumental, mas contextualizada na potencialidade e na limitação da tecnologia. Deve incluir como são as novas formas de interagir, a linguagem e a construção de conteúdo e como incorporá-las nos processos de ensino e de aprendizagem. Só assim, de fato, estará justificado o uso de tablets em sala de aula, como efetivo instrumento do aprender.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A história da tecnologia educacional


A entrada da informática na educação, no Brasil, está ligada diretamente ao ingresso dos microcomputadores, que ocorreu nos últimos trinta anos, principalmente no campo da microeletrônica, acarretando inúmeras transformações. Essas transformações ocorreram em vários setores econômicos, como indústrias, bancos e telecomunicações, que passaram a ter como base de seu desenvolvimento a informática.
Os avanços tecnológicos educacionais começaram na década de 1970, com a caracterização de dois pontos de vista: um restrito e outro amplo. O restrito estava limitado ao ensino dirigido apenas à utilização dos recursos dos microcomputadores no aspecto físico, ou seja, dominar os equipamentos; já o amplo se enquadrava em uma linha diferente, baseada no desenvolvimento e na administração dos elementos sistêmicos, ou seja, na educação concebida como o sistema ou a totalidade de subsistemas inter-relacionados, em que o papel da tecnologia é apenas colaborar, fornecendo ferramentas para o auxílio do desenvolvimento de atividades na educação.
Abaixo, seguem os principais investimentos em educação com tecnologia no país:
• 1981 – Política de Informática Educativa (PEI), do governo federal, das secretarias estaduais e municipais de educação e das universidades, a fim de inserir o computador no processo ensino-aprendizagem.
• 1982 – Centro de Informática Educativa do MEC – CENIFOR, subordinado à Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa, seu papel era assegurar a pesquisa, o desenvolvimento, a aplicação e a generalização do uso da informática no processo de ensino-aprendizagem em todos os níveis e modalidades.
• 1983 – Comissão Especial de Informática na Educação (CE/IE), que elaborou e aprovou o projeto Educom – Educação com computadores, ficando a cargo da FUNTEVÊ, apoiado financeiramente pela Secretaria Especial de Informática (Seinf-MEC), pelo CNPq e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
 1985 – I Plano Setorial: Educação e Informática, prevendo ações nos segmentos de ensino e pesquisa relacionadas ao uso e aplicação da informática na educação.
• 1986 – Comitê Assessor de Informática na Educação de Primeiro e Segundo Graus – CAIE/SEPS, aprovou-se o programa de ação imediata em informática na educação.
• 1988 – Realizou-se o III Concurso Nacional de Software Educacional Brasileiro, e a Organização dos Estados Americanos (OEA) convidou o MEC-Brasil para avaliar o programa de informática aplicada à educação básica do México. O resultado foi um projeto multinacional de cooperação técnica e financeira integrado por sete países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana e Venezuela), com o objetivo de utilizar as redes telemáticas para a formação de professores, investigadores, administradores escolares e membros da comunidade, para auxiliar a implantação da informática na educação e a promoção de mudanças na escola pública.
• 1989 – Jornada de Trabalho Latino-Americano de Informática na Educação e Reunião Técnica de Coordenação de Projetos em Informática na Educação; a Unicamp avançou implantando o II Curso de Especialização em Informática na Educação – Projeto Formar II. Outro fator importante foi que o Conselho Nacional de Informática e Automação (CONIN) alterou a redação do II Plano Nacional de Informática e Automação, introduzindo ações de informática na educação, implantando núcleos de informática em educação nas instituições de ensino superior, secretarias de educação e escolas técnicas, no sentido de criar ambientes informatizados para atendimento à clientela de primeiro, segundo e terceiro graus, educação especial e ensino técnico, para o desenvolvimento de pesquisa e formação de recursos humanos; instituiu-se o Proninfe (Programa Nacional de Informática na Educação).
 1991 – Aprovado o 1º Plano de Ação Integrada (Planinfe), para desenvolver nos anos de 1991 a 1993 um plano de ação integrada com objetivos, metas e atividades para o setor da informática educativa; criou-se o Comitê Assessor de Informática Educativa.
 1996 – Foi criada a Secretaria de Educação a Distância – SEED, e também foi apresentado o documento básico “Programa Informática na Educação”, tendo como função básica promover o uso da informática como ferramenta de enriquecimento pedagógico no ensino público médio.
• 2000 – Projeto Rede Telemática para Formação de Educadores a Distância. O projeto formava professores, administradores, pesquisadores e membros das comunidades escolares em informática na educação, analisando, estudando e programando as mudanças pedagógicas e de gestão da escola, integrando a comunidade e a escola, envolvendo e formando continuamente os seus integrantes.
• 2010 – O governo federal instalou 6,6 mil telecentros em 5,4 mil cidades brasileiras. Os telecentros são dotados de dez computadores, servidor central, central de monitoramento, impressora, mobiliário e conexão internet.
• 2010 – Parcialmente, o Estado de São Paulo promoveu a inclusão digital implementando 519 postos do Acessa São Paulo, atendendo a 464 municípios paulistas. Também foi criado o programa Acessa Escola em 3.752 escolas da rede pública estadual. Esse programa tem um diferencial ao utilizar estagiários, cerca de 13.086, que serão os responsáveis pelo atendimento aos alunos nas salas de informática, que permanecem abertas o dia todo.
Atualmente, o MEC tem procurado, através de seus projetos, fundamentar nas escolas um enorme potencial didático-pedagógico, ampliando oportunidades onde os recursos são escassos, familiarizando o cidadão com a tecnologia que está em seu cotidiano, dando respostas flexíveis e personalizadas para pessoas que exigem diversidade maior de tipos de educação.
Outro fator é a criação de espaços educacionais que promovam a formação e o conhecimento em informática educativa, motivando os profissionais e alunos para aprender continuamente, em qualquer estágio de suas vidas.
Agora com a entrada das redes sociais , novos caminhos e novos rumos estão sendo tomados na interpretação e mediação desta poderosa ferramenta de apoio ao aprendizado.

Fonte: JorNow (www.jornow.com.br/jornow)| Publicado em 23 de setembro de 2011.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desafio aos professores: aliar tecnologia e educação






Seja por meio de celular, computador ou TV via satélite, as diferentes tecnologias já fazem parte do dia a dia de alunos e professores de qualquer escola. Contudo, fazer com que essas ferramentas de fato auxiliem o ensino e a produção de conhecimento em sala de aula não é tarefa fácil: exige treinamento dos mestres. A avaliação é de Guilherme Canela Godoi, coordenador de comunicação e informação no Brasil da Unesco, braço da ONU dedicado à ciência e à educação. “Ainda não conseguimos desenvolver de forma massiva metodologias para que os professores possam fazer uso dessa ampla gama de tecnologias da informação e comunicação, que poderiam ser úteis no ambiente educacional.” O desafio é mundial. Mas pode ser ainda mais severo no Brasil, devido a eventuais lacunas na formação e atualização de professores e a limitações de acesso à internet – problema que afeta docentes e estudantes. Na entrevista a seguir, Godoi comenta os desafios que professores, pais e nações terão pela frente para tirar proveito da combinação tecnologia e educação.
Qual a extensão do uso das novas tecnologias nas escolas brasileiras?
Infelizmente, não existem dados confiáveis que permitam afirmar se as tecnologias são muito ou pouco utilizadas nas escolas brasileiras. Censos educacionais realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que a maioria das escolas públicas já tem à sua disposição uma série de tecnologias. No entanto, a presença dessas ferramentas não significa necessariamente uso adequado delas. O que de fato se nota é que ainda não conseguimos desenvolver de forma massiva metodologias para que os professores possam fazer uso dessa ampla gama de tecnologias da informação e comunicação, que poderiam ser úteis no ambiente educacional.

Quais devem ser as políticas públicas para incentivar as tecnologias em sala de aula?Elas precisam ter um componente fundamental de formação e atualização de professores, de forma que a tecnologia seja de fato incorporada no currículo escolar, e não vista apenas como um acessório ou aparato marginal. É preciso pensar como incorporá-la no dia a dia da educação de maneira definitiva. Depois, é preciso levar em conta a construção de conteúdos inovadores, que usem todo o potencial dessas tecnologias. Não basta usar os recursos tecnológicos para projetar em uma tela a equação “2 + 2 = 4″. Você pode escrever isso no quadro negro, com giz. A questão é como ensinar a matemática de uma maneira que só é possível por meio das novas tecnologias, porque elas fornecem possibilidades de construção do conhecimento que o quadro negro e o giz não permitem. Por fim, é preciso preocupar-se com a avaliação dos resultados para saber se essas políticas de fato fazem a diferença.

As novas tecnologias já fazem parte da formação dos professores?Ainda é preciso avançar muito. Os dados disponíveis mostram que, infelizmente, ainda é muito incipiente a formação de professores com a perspectiva de criação de competências no uso das tecnologias na escola. Com relação à formação continuada, ou seja, à atualização daqueles profissionais que já estão em serviço, aparentemente nós temos avanços um pouco mais concretos. Há uma série de programas disponíveis que oferecem recursos a eles.

Para os alunos, qual o impacto de conviver com professores ambientados com as novas tecnologias?
As avaliações mais sólidas a esse respeito estão acontecendo no âmbito da União Europeia. Elas mostram que a introdução das tecnologias nas escolas aliada a professores capacitados têm feito a diferença em alguma áreas, aumentando, por exemplo, o potencial comunicativo dos alunos.

As relações dentro da sala de aula mudam com a chegada da tecnologia?O que tem acontecido – e acho que isso é positivo, se bem aproveitado – é que a relação de poder professor-aluno ganha uma nova dinâmica com a incorporação das novas tecnologias. Isso acontece porque os alunos têm uma familiaridade muito grande com essas novidades e podem se inserir no ambiente da sala de aula de uma maneira muito diferente. Assim, a relação com o professor fica menos autoritária e mais colaborativa na construção do conhecimento.

É comum imaginar que em países com um alto nível educacional a integração das novas tecnologias aconteça mais rapidamente. Já em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde muitas vezes o professor tem uma formação deficitária, a incorporação seja mais lenta. Esse pensamento é correto?
Grandes questões sobre o assunto não se colocam apenas para países em desenvolvimento. É o caso, por exemplo, de discussões sobre como melhor usar a tecnologia e como treinar professores. O mundo todo discute esses temas, porque essas novas ferramentas convergentes são um fenômeno recente. Porém, também é correto pensar que nações onde as pessoas são mais conectadas e têm mais acesso a dispositivos devem adotar a tecnologia em sala de aula de modo mais amplo e produtivo. Outro fenômeno detectado no mundo todo é o chamado “gap geracional”, ou seja, os professores não nasceram digitalizados, enquanto seus alunos, sim.

O senhor vê algum tipo de resistência nas escolas brasileiras à incorporação da tecnologia?
Não acredito que haja uma resistência no sentido de o professor acreditar que a tecnologia é maléfica, mas, sim, no sentido de que ele não sabe como utilizar as novidades. Não se trata de saber ou não usar um computador. Isso é o menor dos problemas. A questão em jogo é como usar equipamentos e recursos tecnológicos em benefício da educação, para fins pedagógicos. Esse é o pulo do gato.

Quais os passos para superar a formação deficitária dos professores?A Unesco sintetizou em livros seu material de apoio, chamado Padrões de Competências em Tecnologia da Informação e da Comunicação para Professores. Ali, dividimos o aprendizado em três grandes pilares. O primeiro é a alfabetização tecnológica, ou seja, ensinamos a usar as máquinas. O segundo é o aprofundamento do conhecimento. O terceiro pilar é chamado de criação do conhecimento. Ele se refere a uma situação em que as tecnologias estão tão incorporadas por professores e alunos que eles passam a produzir conhecimento a partir delas. É o caso das redes sociais. É importante lembrar que esse processo não é trivial, ele precisa estar inserido na lógica da formação do professor. Não se deve achar que a simples distribuição de equipamentos resolve o problema.

Nathalia Goulart
Guilherme Canela Godoi (Arquivo Pessoal)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Tablet já virou babá, professora e amiguinho para brincar das crianças – nos EUA, por enquanto


Por vezes nos deparamos com pesquisas que comprovam o óbvio ululante. Eis uma delas: sete em cada dez crianças nos Estados Unidos com menos de 12 anos têm tablets em casa e os três usos mais recorrentes que fazem do ultraportátil são jogaraprender e se divertirenquanto viajam. Em suma, os tablets viraram babáprofessora e amiguinho para brincar.
Nas casas onde existem tablets, aponta a Nielsen Wire, a principal atividade da criançada é jogar em aplicativos baixados nos dispositivos (77%). Em seguida, estão os propósitos educacionais (57%) e o entretenimento durante viagens (55%).
Em terceiro, está o hábito de assistir à televisão e filmes (43%), seguido de entretenimento enquanto está no restaurante/evento (41%) e, por último, comunicação com os amigos (só 15%).
A presença cada vez maior desses dispositivos com tela sensível ao toque pode (e, digamos, vai) mudar radicalmente a maneira com que a próxima geração se relaciona com a tecnologia. Se você nunca viu, acompanhe o vídeo abaixo, de um bebê de um ano tenta mexer numa revista… como se fosse um iPad.
E aí, já usou um tablet como babá? 

A presença cada vez maior desses dispositivos com tela sensível ao toque pode (e, digamos, vai) mudar radicalmente a maneira com que a próxima geração se relaciona com a tecnologia. Se você nunca viu, acompanhe o vídeo abaixo, de um bebê de um ano tenta mexer numa revista… como se fosse um iPad.

MEC vai reforçar uso de tecnologia nas escolas


O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta quinta-feira, (9/2), que a velocidade tecnológica é muito maior do que a capacidade que a escola tem de processá-la. Apesar disso, segundo ele, a escola não pode ficar à margem da evolução tecnológica.
Na semana passada, o ministro anunciou que o Ministério da Educação vai investir, este ano, cerca de 150 milhões de reais na compra de 600 mil tablets para uso dos professores do ensino médio de escolas públicas federais, estaduais e municipais. A tecnologia, afirmou, vai ser tão mais eficiente quanto maiores forem os cuidados pedagógicos e quanto maior for o envolvimento dos professores no processo.
“Estamos definindo que, na educação, a inclusão digital começa pelo professor”, disse Mercadante. Para isso, o MEC já formou mais de 300 mil professores em tecnologias da comunicação e informação, em cursos de 360 horas. Além disso, o serviço de internet banda larga foi instalado em 52 mil escolas públicas urbanas.
Com a entrega de novas tecnologias da informação, professores e escolas públicas terão acesso, por meio dos tablets, a conteúdos educacionais colocados à disposição no Portal do Professor.
O MEC também ampliará a distribuição do computador interativo, equipamento que reúne projetor, microfone, DVD, lousa e acesso à internet. Unidades desse computador já foram distribuídas nas escolas de ensino médio.
No segundo semestre, chegarão os tablets, em modelos de sete ou dez polegadas, coloridos, com bateria para até seis horas, peso abaixo de 700 gramas, tela multitoque, câmera e microfone para trabalho multimídia, saída de vídeo e conteúdo pré-instalado, entre outras características.
Piloto
A entrega dos equipamentos digitais a professores e escolas integra o projeto Educação Digital – Política para Computadores Interativos e Tablets. Ele surgiu para oferecer instrumentos e formação aos professores e gestores das escolas públicas relativos ao uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no processo de ensino e aprendizagem.
Entre 2008 e 2011, o MEC criou o projeto-piloto Um Computador por Aluno (UCA), com a aquisição de computadores portáteis para estudantes da rede pública. Essa compra fez parte do Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo Integrado), integrante da política nacional de tecnologia educacional do MEC, destinado a promover o uso pedagógico da informática na rede pública de ensino fundamental e médio, com a oferta de infraestrutura, capacitação e conteúdos educacionais.
Em 2008, em fase experimental, o projeto foi implementado em São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Piraí (RJ) e Palmas. Em uma segunda fase, foram adquiridos 150 mil computadores para estudantes de 380 escolas da rede pública. A infraestrutura de acesso à internet sem fio foi instalada à medida que os computadores eram entregues. Posteriormente, professores receberam capacitação para uso do equipamento e da tecnologia no processo pedagógico escolar. Os municípios e estados ficaram responsáveis por dar continuidade ao projeto.
Em 2010, numa terceira etapa, o projeto–piloto evoluiu para o Programa Um Computador por Aluno (Prouca), com apoio do Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional (Recompe). A partir de então, estados e municípios puderam adquirir os equipamentos portáteis de empresa selecionada por edital. Ao todo, foram comprados 375 mil computadores por 372 municípios. A avaliação de equipes de pesquisadores de 27 instituições de ensino superior norteará a continuidade do programa

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Escolas estaduais de SP terão lousas digitais em todas as salas, além de tablets

O Ministério da Educação promete tablets nas escolas públicas desde o ano passado, e disse estar“definindo as características do aparelho”. Só que, uma semana antes, eles abriram licitação para comprar 900.000 tablets por R$110 milhões, e sem plano pedagógico – segundo o MEC, o planejamento “vai acontecer na prática”. Enquanto isso, o secretário de Educação de SP, Herman Voorwald, promete ainda mais tablets nas escolas do Estado, além de lousas digitais em todas as salas.
Voorwald diz que as escolas estaduais de São Paulo terão lousas digitais em todas as salas, e para isso o governo vai lançar, nos próximos dias, uma parceria público-privada de R$5,5 bilhões para dez anos. O secretário também mencionou tablets, segundo o Estadão: “uma das propostas é ter, nas salas de aula, carrinhos em que os tablets estejam disponíveis para os alunos – que poderão usá-los e, depois, guardá-los”.
O MEC já planeja distribuir tablets, inclusive em escolas estaduais, mas apenas para professores: o ministério anunciou investimento de R$150 milhões para comprar 600.000 tablets a serem usados no ensino médio de escolas públicas federais, estaduais e municipais. Os tablets devem ser entregues no segundo semestre.
Mas, como lembra Voorwald, o projeto de SP não se trata apenas de comprar tecnologia: o plano inclui a reforma das escolas para receberem os equipamentos, a adequação do currículo aos aparelhos, e o mais importante – a formação dos professores para lidar com tablets e lousas virtuais. Vimos que, com o programa Um Computador por Aluno, os maiores desafios estão mesmo em adaptar a escola aos PCs, e em adaptar os professores ao uso de PCs em aula.
O secretário critica a distribuição de tablets sem projeto pedagógico, e reconhece que a tecnologia não é tudo: “o tablet não pode ser por si só o salvador da pátria… não acredito em distribuir tablet para cima e para baixo”. Segundo o governo do Estado, a PPP ainda está sob análise. [Estadão viaFábio Perez]
Foto por crol373/Flickr

Fonte: http://www.gizmodo.com.br/conteudo/escolas-estaduais-de-sp-terao-lousas-digitais-e-tablets/

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Future Learning: Catherine Lucey


As Vice Dean of Education at the UCSF School of Medicine, Catherine Lucey shows how integrating technology aids the faculty in training the next generation of compassionate, skillful physicians.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Aplicativo permite aos estudantes aprenderem pelo Facebook


Alleyoop agrega conteúdos educacionais de vários sites e funciona como os jogos da rede

Página do Alleyoop: projeto é bancado pelo grupo editorial Pearson
Foto: Reprodução
Página do Alleyoop: projeto é bancado pelo grupo editorial PearsonREPRODUÇÃO

Uma startup patrocinada pelo grupo editorial Pearson, que tem como uma de suas áreas de atuação os livros didáticos, quer aproveitar todo o tempo que adolescentes passam no Facebook para estudarem também. A Alleyoop acredita que se milhões e milhões de crianças e jovens passam horas cuidando de fazendas, por que não gastar esse tempo aprendendo? A ideia é agregar conteúdos já disponíveis na internet, como vídeos, exercícios, explicações, etc, e customizá-los para as necessidades de cada um. Os conteúdos seriam de sites gratuitos ou pagos. Neste último caso, o Alleyoop serviria como uma ferramenta de distribuição.

- Fundamentalmente, estamos focados no grande problema que é como ajudar os estudantes a assumir o controle do seu futuro. - afirmou Patrick Supanc, presidente da Alleyoop, ao site especializado em tecnologia Mashable.
O grande trunfo da iniciativa está na forma de acesso aos conteúdos pagos. Em vez de gastarem dinheiro de verdade, os estudantes poderão ganhar um dinheiro virtual, “Yoops”, dentro do próprio Alleyoop, seguindo a lógica de jogos populares na rede, como Farmville e Mafia Wars. Os recursos que darão acesso aos módulos pagos serão ganhos através de desafios e outras tarefas. Por exemplo, alguém que se dispôr a ensinar matemática para outro usuário, ganhará “Yoops” mais rapidamente.
Atualmente, o Alleyoop só oferece lições de matemática para usuários entre 13 e 19 anos. Maiores de idade não conseguem nem se logar na página. Se o projeto piloto alcançar o sucesso esperado, outras disciplinas serão incorporadas e outras idades atendidas. A partir do momento em que começam a frequentar a rede, os estudantes receberão também recomendações de leitura e até dicas de escolhas de carreira.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/aplicativo-permite-aos-estudantes-aprenderem-pelo-facebook-3856405#ixzz1mNPH8OwA

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tecnologia ainda desafia professores brasileiros



Para assessor do programa Um Computador Por Aluno, mestres chegam ao mercado sem formação adequada para aplicar novidades à educação

Nathalia Goulart
Aula de informática na Escola Municipal Escola Grécia, no Rio
Aula de informática na Escola Municipal Escola Grécia, no Rio (Eduardo Monteiro)
Pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) na semana passada deu o sinal vermelho: 75% dos professores da rede pública adquirem conhecimentos de tecnologia aplicada è educação informalmente com colegas – ou seja, para esse grupo, não existe orientação formal a respeito. "Estamos formando professores incompletos e, em seguida, mandando para o mercado de trabalho um produto carente de peças", afirma Simão Marinho, coordenador do programa de pós-graduação em educação da PUC-Minas e assessor pedagógico do programa Um Computador Por Aluno, do governo federal. Para o especilista, a capacitação dos professores é o maior desafio da escola brasileira na difícil tarefa de incorporar as tecnologias à sala de aula – o que inclui o tablet, recém-chegada às salas de aula. Confira os principais trechos da entrevista com o estudioso.
Já sabemos se a tecnologia tem impacto no desempenho acadêmico de alunos? Quando falamos em incorporar tecnologias na sala de aula, ela não é utilizada somente para favorecer o domínio de conteúdo. As mídias digitais desenvolvem habilidades que vão além do desempenho acadêmico. Existem provas de que o computador desenvolve a criatividade, a análise crítica, a capacidade de buscar informações. E isso de uma forma geral não aparece em pesquisas que aferem apenas o domínio de conteúdo.
Qual o maior desafio para acrescentar tecnologia à sala de aula? O maior desafio é o treinamento do professor. Na formação inicial desses profissionais, as tecnologias quase não são incorporadas. Ou seja, estamos formando professores incompletos e, em seguida, mandando para o mercado de trabalho um produto carente de peças. Não se trata apenas de levar tecnologia para a sala de aula. Ela, por si, só não vai garantir o aprendizado. É o professor que precisa sair de sua zona de conforto e mudar suas práticas pedagógicas. Essa acomodação muitas vezes é reflexo da posição dele enquanto funcionário público, que não pode ser demitido. A escola particular cobra que seu professor se atualize ou ele é demitido. A escola pública não dispõe desse mecanismo.
Como garantir uma formação adequada aos professores? É preciso fornecer conhecimento, mas também é preciso tempo. Esse tempo é de experimentação e de apropriação. Se o professor não experimenta, não conseguirá explorar as ferramentas em sua potencialidade máxima. É preciso lembrar que não é a tecnologia que inova, é o professor. Se ele tem um aparelho de ponta nas mãos mas não sabe como usá-lo, que produto poderá tirar dele?
O senhor é assessor pedagógico do programa Um Computador por Aluno (UCA), que visa levar um computador a cada estudante da rede pública de ensino. Como anda o projeto no Brasil? Hoje, temos quase 400 escolas que fazem parte do projeto-piloto do Ministério da Educação. Aos professores dessas instituições, oferecemos treinamento de 40 horas presenciais. Nesse período, eles são apresentados ao computador educacional – que é diferente do laptop convencional. A partir daí, seguem-se mais 140 horas de formação continuada à distância. Quando essas duas etapas estiverem concluídas, é hora de incentivar as secretarias regionais a adquirirem o equipamento e treinar seus professores.
Como o senhor avalia a chegada do tablete às salas de aula? Os mesmos princípios que orientam outras tecnologias, como o laptop, valem para o tablet. É preciso priorizar o projeto pedagógico. O professor pode usar o computador para exibir um arquivo estático, que não acrescenta nada ao aprendizado do aluno. Então, não faz a menor diferença se estamos falando de computador, tablet ou smartphone – eles não fazem sentido se estiverem a serviço de velhas práticas. É importante, porém, notar que o tablet tem suas limitações. Ele é bom para executar aplicativos e navegar na internet, mas não é adequado para digitação. O professor precisa estar atento a tudo isso.

'Vamos começar pelo professor', diz Mercadante sobre projeto de R$ 180 mi que levará tablets a escolas públicas


Ministro promete dar dispositivo somente a escolas e professores preparados. É uma chance de evitar erros do projeto Um Computador por Aluno

Renata Honorato
Aloizio-mercadante-cae-senado-dossie-aloprados-20110628-size-598
(J. Freitas/Agência Senado )
O governo federal desembolsará 180 milhões de reais na compra de 600.000 tablets para professores de ensino médio da rede pública. Os dispositivos, das marcas Positivo e CCE, custarão entre 272 e 278 reais por unidade e já estão sendo distribuídos em alguns estados. Para garantir o melhor aproveitamento dos tablets – e dos recursos –, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, promete distribuir os equipamentos somente a 52.000 escolas que contam com acesso à banda larga e a professores que passarem por um treinamento de 360 horas. "Vamos começar pelo professor, porque é muito mais seguro pedagogicamente", diz Mercadante, recém-empossado no cargo. É uma forma de evitar equívocos da gestão anterior no programa Um Computador por Aluno (UCA), iniciado em 2007, que levou 150.000 netbooks a escolas ao preço de 80 milhões de reais: houve casos de instituições que receberam máquinas mas não tinham sequer acesso à rede elétrica ou à internet e de professores quem mal sabiam ligar os dispositivos. É difícil aferir todos os resultados – negativos ou positivos – do programa. Isso porque o MEC ainda guarda a sete chaves a Avaliação de Impacto do Projeto UCA-Total,coordenada pela pesquisadora Leva Lavinas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Até o resumo do trabalho foi retirado do site da UCA  "Quem quiser saber mais sobre o assunto, deve procurar o ministro", disse Lavinas à reportagem de VEJA. Na entrevista a seguir, Mercadante afirma que a pesquisa sobre o impacto do UCA chegou, sim, a conclusões positivas. E comenta o novo projeto do MEC, que pode receber o nome de Um Computador por Professor.
Avaliação de Impacto do Projeto UCA-Total (Um Computador por Aluno) concluiu que os resultados do programa foram sofríveis. Diz o relatório: "Boa parte dos computadores não foi entregue nos prazos. Outros foram entregues sem a infraestrutura necessária para sua adoção em sala de aula. O treinamento dos docentes não deu os resultados esperados. O suporte técnico praticamente inexiste." Por que o senhor acredita que será diferente com os tablets, e que o país não vai desperdiçar 180 milhões de reais? Somos o terceiro país onde mais se compram computadores no planeta. Há um processo intenso de inclusão digital acontecendo com a população brasileira. Muitos jovens da periferia fazem isso nas lan houses. A escola tem que estar olhando para o futuro. E a tecnologia da informação, a utilização dos equipamentos, como computadores, laptops e tablets, é uma exigência crescente em todas as áreas do conhecimento. O professor terá nos tablets e no acesso à internet um instrumento fantástico para preparar as aulas. Estamos começando um processo de inclusão digital pelo professor. E estamos começando esse processo pelo ensino médio, onde está um dos maiores níveis de evasão escolar e as maiores dificuldade do sistema educacional brasileiro. Estamos nos preparando para que uma parte importante dos professores possa aprimorar suas aulas, seu processo pedagógico e sua formação.
Por que o UCA não deu certo? Ninguém teve acesso a essas pesquisa. Estamos reunindo esse material. A pesquisa que foi divulgada, da professora Lena Lavinas, não diz isso. Posso ler a conclusão dela: "Um dos resultados notáveis dessa análise de painel é descobrir que dar um laptop às crianças de seis anos, logo no início de seu processo de alfabetização, tem impactos muito positivos, pois aumenta a propensão a aprender, a ler e a escrever". Na seção "Breves conclusões da análise de impacto", diz: "A pesquisa mostrou que a autoestima dos alunos aumentou com a aquisição do computador e que muitos professores tiveram sua autoestima abalada. Alguns se sentiram humilhados frente a essa novidade da qual ainda não conseguem se apropriar." A experiência internacional e a análise pedagógica preliminar demonstram que, se você começar pelo professor, você tem muito mais segurança no processo: se ele lidera a iniciativa, se ele é preparado com antecedência, ele vai acompanhar a aceleração da inclusão digital por parte do aluno, porque a maioria das escolas brasileiras já possui uma unidade de informática. Por isso, estamos fortalecendo a estratégia começando pelo professor, e não pelo o aluno. A conclusão da pesquisa é muito favorável ao programa. Ela sugere uma série de aprimoramentos, especialmente em relação à banda larga.
Não só à banda larga. O estudo aponta a necessidade de aprimoramentos em relação à infraestrutura. Seguramente, isso é um problema. A estrutura que nós temos no Brasil precisa ser aperfeiçoada. Temos ainda escolas sem energia e sem água. Então, estamos agora lançando um programa para superar essa deficiência. Em algumas áreas do Brasil, como Norte e região amazônica, não se consegue levar banda larga por fibra ótica. O governo vai lançar o satélite, até meados de 2014, para poder atender a população ribeirinha e o conjunto da Amazônia. Não se consegue transpor a selva e atingir os 24 milhões de habitantes, especialmente as pequenas cidades, por fibra ótica.
Especialistas afirmam que dispositivos eletrônicos só são úteis em sala de aula se forem acompanhados de projeto pedagógico consistente e de professores bem treinados. Qual o projeto pedagógico do MEC para os tablets? Estamos disponibilizando nos tablets o Portal do Professor, onde há uma série de elementos para preparar as aulas – já temos disponibilizadas 15.000 aulas. Além disso, vamos oferecer a partir de abril, através de um convênio com a fundação Lemann, todas as aulas de matemática, física, biologia e química do professor Khan. Esse material será traduzido para o português: tanto os exercícios quanto as aulas, que são reconhecidas como conteúdos de excelência, vão subsidiar o processo de preparação pedagógica. Também vamos disponibilizar o portal Domínio Público, onde há uma série de publicações especializadas, revistas de circulação nacional na área de educação, jornais e também toda a coleção de educadores como Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Anísio Teixeira e todas as grandes figuras da história da educação brasileira. Além disso, estamos distribuindo para as escolas um projetor digital wi-fi, através do qual o professor pode reproduzir o conteúdo do tablet em sala de aula, o que vai aprimorar a didática com alunos. Se ele vai dar uma aula de biologia e quer fazer uma apresentação de células, terá à disposição imagens para isso.
Esse projeto pedagógico funcionará através de aplicativos instalados nos tablets? Isso mesmo. Esses tablets vão rodar Android (sistema para dispositivos móveis do Google) e todos os nossos portais estarão adaptados para tablets. Então, eles acessarão esse material através de aplicativos e versões para internet.
Como vai funcionar o treinamento dos quase 600.000 professores que receberão os tablets? Tanto o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, autarquia do MEC) quanto a Secretaria de Educação Básica têm equipes especializadas nessa área de tecnologia da informação e educação. Já temos uma rede em funcionamento (ProInfo), que foi acionada para incluir digitalmente 320.000 professores. Estamos agora ampliando esse programa. Uma parte dos cursos será presencial e a outra será feita através de ensino à distância. Doamos para a Universidade Federal de Pernambuco um grande equipamento para a computação em nuvem. É um data center de grande capacidade. A partir dele, atenderemos a demanda vinda do Portal do Aluno, praticamente concluído.
Pesquisa do CGI (Comitê Gestor de Internet) divulgada em agosto revelou um quadro desolador entre professores de escolas públicas: só 44% sabem fazer pesquisas na internet, 64% afirmam que alunos sabem mais do que eles sobre computador e internet e 75% não recebem qualquer formação na área. Como esperar bons resultados nessas circunstâncias? Sabemos disso e por isso estamos começando pelos professores. O tablet é um instrumento indireto que permite levar o melhor da internet para a sala de aula. Temos 2 milhões de professores no Brasil e 600.000 não têm graduação. Metade desses 600.000 está se graduando agora. Esse é o histórico do Brasil. Em 1648, quando a Universidade Harvard foi criada, já existiam 13 universidades na América Espanhola. A primeira universidade do Brasil é de 1922. Temos um atraso histórico. Ao mesmo tempo, temos crescido mais rapidamente do que outros países e podemos aprender com eles e com seus erros. Atualmente, o Brasil ocupa a 13ª posição entre as nações com maior produção científica, é o terceiro país em termos de venda de computadores. O país está se modernizando e a escola precisa participar desse processo. E vamos começar pelo professor, porque é muito mais seguro pedagogicamente. A escola precisa estar aberta ao século XXI. Hoje, os professores são do século XX e os alunos, do século XXI.
Tablets são muito bons para consumir informação, mas nem tanto para produzir conteúdo, a começar pela escrita de textos. Os dispositivos são mesmo adequados para professores, que precisam consumir conhecimento e também reelaborá-lo? Os tablets não substituem o laptop, mas são amigáveis e adequados a pesquisas pedagógicas e apresentações em sala de aula. Para escrever e produzir, o computador é indispensável, mas para essa função básica, que é a que queremos analisar nesse momento, ele é um instrumento eficiente, principalmente associado ao projetor digital. 
A Coreia do Sul anunciou recentemente que pretende usar os tablets como suporte para todos os seus livros didáticos até 2015. O senhor quer seguir nesse caminho? Os livros didáticos hoje são indispensáveis no Brasil, no processo de aprendizado e na experiência pedagógica. O conteúdo digital é um conteúdo adicional no processo de aprendizado. Não temos no horizonte nenhuma possibilidade de fazer essa opção. O caminho do Brasil é outro, o ritmo do Brasil é outro, as condições são outras. Não vamos abrir mão dos livros didáticos.