sexta-feira, 30 de março de 2012

Tablet agrega material didático e internet nas aulas





Instituições de ensino brasileiras começam a utilizar o novo computador portátil para facilitar o acesso a livros, reduzir custos e deixar a sala de aula mais interessante. As diversas formas de utilização dos tablets ainda estão sendo discutidas no mercado de consumo, mas as empresas de educação já apostam que o novo instrumento será, em breve, indispensável na sala de aula.


 A Faculdade Interativa COC deve receber na segunda quinzena de fevereiro o primeiro lote de 3 mil equipamentos comprados da China para serem distribuídos para os alunos do primeiro semestre dos cursos à distância. A instituição adquiriu cerca de 20 mil produtos, batizados de Tablet COC, de uma indústria chinesa. E está investindo cerca de R$ 15 milhões no projeto de migração de seu material didático para o tablet - considerando valor dos produtos, licenciamento e autorização da Anatel para que o acesso à internet. A Faculdade interativa COC gasta mais de R$ 1,5 milhão por trimestre com o envio de apostilas para seus 26,5 mil alunos em todo o país. De acordo com Jeferson Fagundes, diretor nacional de educação à distância do COC, apesar de inicialmente mais alto, o custo do tablet vai compensar os gastos logísticos e de impressão de 37 mil livros por trimestre. "A substituição será gradativa, começando pelos cerca de 5 mil alunos ingressantes, mas temos como meta eliminar toda a impressão em papel", diz Fagundes, que garante que o custo não será repassado aos alunos. 


 Outra rede que aposta na substituição do material didático gratuito enviado aos alunos por material digital, que pode ser acessado pelos tablets é a Estácio. O projeto inicia-se no segundo semestre com a distribuição de 5 mil equipamentos entre alunos os de Direito das faculdades do Rio e Espírito Santo. O material didático da Estácio é feito a partir de capítulos integrais de obras de cada disciplina, fruto de uma parceria entre a instituição e Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos. O tablet também vai trazer uma biblioteca virtual, com mais de 1,6 mil obras, projeto pedagógico do curso e os planos de aulas. A instituição não divulgou o nome do equipamento que vai utilizar, pois ainda não fechou a compra, mas isto não a impediu de usar o tablet em sua campanha publicitária para o processo seletivo 2011. "Nosso foco é a empregabilidade. 


É importante nossos alunos saberem que eles vão aprender a manejar as principais ferramentas tecnológicas", afirma Pedro Graça, diretor de mercado da Estácio. A Faculdade Interativa COC também conseguiu capitalizar com a propaganda do tablet. A empresa iniciou a campanha "1 tablet por aluno" em novembro do ano passado, na mesma época em que o Ipad chegou ao país. 


De acordo com Jeferson Fonseca, do COC, a ação publicitária teve boa receptividade. Investimentos A Estácio está investindo R$ 40 milhões no projeto, que inclui também a formatação de uma plataforma on-line de currículos unificados e aulas, a fim de padronizar o conteúdo que é ensinado aos alunos em suas diversas unidades em todo o país. De acordo com Paula Calei, diretora executiva de ensino e reitora da Estácio, o projeto de migrar os conteúdos para o ambiente digital foi iniciado há dois anos. "Nosso objetivo é a interação em sala de aula. Testamos a utilização do netbook, mas sabíamos que em dado momento iria surgir um equipamento mais adequado", afirma. E o tablet atendeu às demandas da instituição, garante a executiva. Os novos alunos vão receber os equipamentos sempre no segundo semestre do curso, para que sejam previamente treinados na nova tecnologia, conta Pedro Graça. "Em cinco anos, esperamos que todo material em papel tenha sido substituído pelo digital", diz, ressaltando que isto representa tirar do mercado 240 milhões de folhas impressas. Só neste semestre, a instituição gastou R$ 1,2 milhão em papel para o material didático que é impresso e entregue gratuitamente aos alunos. 


 Fonte: http://www.brasileconomico.com.br/noticias/tablet-agrega-material-didatico-e-internet-nas-aulas_97454.html

terça-feira, 27 de março de 2012

Uma geração inteira que cresceu jogando videogames




  • Por Alexandre Matias
Não me considero jogador de games, mas…
Jogo videogames desde que me entendo por gente. Comecei nos ancestrais Game & Watch – portáteis de tela de cristal líquido que apresentavam versões simplificadas de títulos que faziam sucesso no fliperama. Com imagens em preto e branco e movimentos quase estáticos, eles eram uma febre nos tempos em que aparelhos importados eram restritos a poucos que tinham dinheiro para viajar para o exterior ou para quem se aventurava a comprar muambas no Paraguai.
Logo depois apareceu o Atari e todas suas versões genéricas (quem se lembra do Odissey?) e logo jogar videogame tornava-se uma atividade que disputava espaço com assistir televisão – afinal, pela primeira vez, a tela da TV tornava-se o monitor dos jogos eletrônicos. Assim, era preciso disputar a TV (nos anos 80, só quem tinha muito dinheiro tinha mais de um destes aparelhos em casa) com a novela, o jornal e os desenhos animados. Eu e meus irmãos tínhamos o hábito de esperar meus pais dormirem para jogar Donkey Kong, Enduro e Pitfall com o volume lá embaixo (não existia controle remoto nem o botão “mute” naquele tempo).
Jogos no computador eram tão raros quanto computadores naquele tempo. Pouquíssimas pessoas tinham em casa. Um dos meus amigos tinha um destes e chamava o pessoal para jogar um precursor dos games RPG que ele baixava – acreditem – pelo rádio. Sintonizava o rádio em ondas curtas nas madrugadas para ouvir guinchos e ruídos aleatórios que, gravados numa fita cassete, eram transformados em bits de informação quando o tape deck era ligado ao computador. Era jogos muito rústicos, formados basicamente por comandos de texto e não entusiasmavam tanto quanto a operação que era “baixar” um jogo pelas ondas de rádio.
Passada a infância, era a vez de encarar os fliperamas no início da adolescência. E, naquela época, jogar videogame fora de casa não significava ir para a área de lazer de algum shopping center. Fliperamas eram lugares perigosos para menores de idade, como os bares com máquinas de videopôquer de hoje. Em Brasília, onde nasci, o melhor fliperama ficava num centro comercial chamado Conic, no meio do Plano Piloto, entre bares, casas de prostituição, cinemas pornô, lojas de discos de rock pesado e de camisetas. Graças à vontade de jogar game que eu e meus amigos, montados em bicicletas BMX como a turma dos amigos do irmão de Elliot no filme E.T., encaramos pela primeira vez o que aos poucos entendemos como “submundo”.
Depois veio a segundo geração de consoles, em que o velho Nintendinho brigava com seu rival Master System. Foi quando meu interesse por games diminuiu e meu irmão do meio assumiu os controles. Não lembro quantas tardes passei revezando fases com ele e meu irmão caçula, mas já não tinha mais disposição para ir atrás das novidades de games. Embora sempre quisesse ver qualquer novo console, nova tecnologia ou novo título que saía do mundo dos jogadores de videogame para a superfície dos não-jogadores.
Foi assim que joguei no antigo computador Amiga ou que gastei boas horas no computador de amigos jogando Prince of Persia. Depois veio o Gameboy, o Super Nintendo, o PlayStation, o Nintendo 64 e sempre dava um jeito de mexer nos aparelhos. E, aos poucos, percebia que cada vez mais gente jogava games.
Vim para São Paulo trabalhar em uma editora que publicava várias revistas de games quando a Nintendo lançou o GameCube e a Microsoft apresentou seu Xbox. E depois vim trabalhar no Link poucos meses antes do lançamento do Wii. E aqui vi a ascensão e queda do Guitar Hero e os jogos musicais (já podem ser considerados clássicos pessoais as sessões de Beatles Rock Band que fazíamos entre a equipe do caderno), a chegada dos jogos sociais e, agora, Angry Birds, que me fez voltar, de cabeça, para o universo dos jogadores.
Se me perguntassem se eu sou um gamer, de pronto diria que não. Mas olhando em retrospecto, é inevitável perceber que não apenas eu, mas toda minha geração, nasceu e cresceu à base de jogos eletrônicos. E você?

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/alexandre-matias/2012/03/25/uma-geracao-inteira-que-cresceu-jogando-videogames/

segunda-feira, 26 de março de 2012

Educadores questionam nova base do ensino médio


MARIANA MANDELLI - O Estado de S.Paulo

Dar identidade à etapa mais problemática da educação básica em 23 artigos de uma resolução e em 50 páginas de um parecer, permitindo que as escolas permeiem seus currículos com os conteúdos de quatro dimensões: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. É esse o objetivo das novas diretrizes curriculares para o ensino médio, homologadas pelo Ministério da Educação (MEC) no início do ano, que tem recebido críticas de especialistas quanto à sua utilidade.
As novas diretrizes tentam inserir "procedimentos que guardem maior relação com o projeto de vida dos estudantes como forma de ampliação da permanência e do sucesso dos mesmos na escola". Ou seja, tentam deixar a escola mais atraente com a ideia de inserir conteúdos relacionados às quatro dimensões na base curricular.
Na prática, as escolas são obrigadas a discutir o documento - que é mais doutrinário que mandatório -, mas sem desobedecer à Lei de Diretrizes e Bases da Educação, onde estão fixadas as disciplinas obrigatórias.
Os críticos afirmam que o documento apenas legitima o que já existe: uma enxurrada de disciplinas que são voltadas para o vestibular. "O Brasil não diversifica e mantém a ideia que todo mundo tem de fazer a mesma coisa. É um 'pau de sebo', um sistema que mais expulsa que inclui", diz João Batista, do Instituto Alfa e Beto. Para ele, o texto das diretrizes tem uma "erudição boba". "Não vai mudar nada. Isso das quatro dimensões é só envelope. As escolas não vão deixar de dar o que cai na Fuvest. "
O economista Cláudio Moura e Castro tem opinião semelhante. "O vestibular é coisa para gênio. É uma montoeira de matéria que rebate no ensino médio. Resultado: ninguém aprende, só decora", afirma. "No resto do mundo há segmentação. Só a Alemanha tem quatro alternativas. Os Estados Unidos têm um programa muito aberto e dificilmente um aluno faz os mesmos cursos que o outro."
Para especialistas em educação básica, as novas diretrizes não resolvem o problema, mas apresentam pontos positivos. "São mais verborrágicas que práticas", diz Wanda Engel, do Instituto Unibanco. Ela elogia a possibilidade de flexibilização da grade em regimes semestrais e as matrículas por disciplina.
Priscila Cruz, do Todos pela Educação, afirma que o ensino médio precisa de um projeto muito mais estruturante. "Acredito em soluções mais individualizadas e segmentadas, porque há muitas diferenças. E a escola tem de fazer sentido para todos os estudantes."
Currículo. O CNE defende que as diretrizes, que revogam as até então vigentes, datadas de 1998, são um documento norteador, uma vez que ele não pode ser encarado como o currículo em si. O MEC discute hoje uma nova base curricular nacional, que vai contemplar também o ensino médio, denominada direitos de aprendizagem.
"Demos uma definição para o ensino médio. Todo mundo tem direito a uma quantidade de informações e então escolher o que quer fazer. Não é receita de bolo", diz o relator José Fernandes de Lima. Ele admite que há dificuldade de implantação e que o projeto é de médio prazo.
Clélia Brandão, também do CNE, afirma que o documento é um "resultado de opções". "Nem todo mundo pensa a escola do mesmo jeito. Não tem como ser unanimidade nacional.
Fruto de discussão do Conselho Nacional de Educação (CNE) com educadores e entidades, o documento tenta aproximar a escola da realidade dos jovens, sem retirar a importância das disciplinas tradicionais. No entanto, o cenário que ela encontra é desastroso e apresenta uma equação problemática cujo resultado não fecha há décadas.
Alguns números mostram a gravidade: 50,9% dos jovens de 15 a 17 anos ainda não estão matriculados nessa etapa e as taxas de reprovação e de abandono são, respectivamente, de 13,1% e de 14,3%.
Apenas 11% aprenderam o ensinado em matemática ao final do 3.º ano. 

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,educadores-questionam-nova-base-do-ensino-medio,853369,0.htm

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ele quer uma sala de aula global. Você acha possível?




Salman Khan: “Vamos usar vídeos para reinventar a Educação”
Em 2004, o engenheiro Salman Khan decidiu postar alguns vídeos com lições de matemática no YouTube. Khan trabalhava como analista de um fundo de investimentos em Boston, nos Estados Unidos, e em suas horas vagas gravava e editava o material, cuja finalidade prática era reforçar pontos específicos das matérias que vinha ensinando à distância aos seus primos de Nova Orleans.
Logo após as primeiras aulas, ele teve uma surpresa: os primos preferiam a “versão YouTube” ao modelo anterior (em que o aprendizado era estático, embora interativo). O motivo? Ao assistirem às lições pela internet, Khan lhes atendia “sob demanda”. Eles sentiam-se livres do receio ou da vergonha de fazê-lo “perder tempo” voltando a conceitos que deveriam já ter aprendido e ainda podiam ver e rever as lições completas quantas vezes quisessem.
Com o tempo, muitas outras pessoas também aprovaram a proposta de Khan: “Essa foi a primeira vez que eu sorri fazendo uma derivada”, uma delas comentou sobre uma das lições. As manifestações de desconhecidos eram tantas e tão positivas que ele rapidamente percebeu que — sem pretender, mas intuindo — havia desenvolvido um modelo útil para professores, pais e alunos do mundo todo que buscavam reforço ou se interessavam por novos modelos para o ensino e a aprendizagem de temas específicos.
Hoje, o que ele batizou de “Khan Academy” possui um acervo de mais de2,7 mil vídeos que abordam de cálculo vetorial à história da arte, passando por finanças, biologia, química, astronomia… E, embora tudo o que alguém possa se interessar em aprender seja pelo menos em parte explicado pelos vídeos, Khan não contesta a relevância do professor em sala de aula.
Pelo contrário, ele crê valorizar esse papel ao apostar em duas vias: a primeira é a possibilidade do ensino orientado e colaborativo, como ocorre em seus vídeos, que pode assumir boa carga dos compromissos escolares: “Imagine o que acontecerá se um aluno de Calcutá puder tutorar seu filho, ou se o seu filho puder ajudar esse garoto em Calcutá”, disse ele em apresentação no evento TED (vídeo acima).  
Como consequência, a segunda via aposta na equação aluno-tempo-valioso-com-o-professor. “Num modelo tradicional, a maior parte do tempo do professor é gasta dando matérias e avaliando. Talvez 5% ou 10% do tempo seja destinado a sentar e realmente trabalhar com eles. Agora, 100% poderá ser assim”. A sala de aula global, diz Khan, é o que sua escola virtual está tentando construir.
Para conhecer melhor suas ideias, assista ao vídeo acima (aqui, com legendas em português), conheça a Khan Academy e acesse este canal do YouTube, mantido por voluntários brasileiros que estão dublando as video-aulas de Khan.

Fonte: http://blog.aticascipione.com.br/dicas/salman-khan-academy

Tecnologia brasileira para educação encanta Merkel e Dilma


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Em visita ao pavilhão brasileiro na CeBIT 2012, a presidenta Dilma Rousseff e a chanceler alemã Angela Merkel não resistiram e se sentaram à mesa educacional Alfabeto, uma das soluções de tecnologia educacional que a Positivo Informática levou para a maior feira de tecnologia do mundo, em Hannover, na Alemanha.
Dilma e Merkel fizeram uma atividade usando os recursos de realidade aumentada da mesa Alfabeto e viveram uma inovadora experiência de aprendizado, como já acontece com milhares de crianças no Brasil e em outras dezenas de países para onde as mesas educacionais da Positivo Informática são exportadas. A campeã de exportações é a mesa E-Blocks, para ensino de idiomas ( Inglês e Espanhol). A tecnologia une em um único software princípios do construtivismo, aprendizagem prática, a TPR (Total Physical Response — Resposta Física Total) e a aprendizagem colaborativa.
A mesa que chamou a atenção da chanceler, no entanto, é um dos modelos mais novos da Positivo. Trabalha com realidade aumentada e integração a recursos de aprendizagem colaborativa do tablet Ypy, fabricado pela empresa brasileira.
Outra novidade, apresentada em primeira mão pela empresa em Hannover é a mesa educacional TOQ, anunciada oficialmente durante a feira. Segundo a Positivo, ela integra de maneira efetiva o concreto e o abstrato, permitindo manipular conteúdos educacionais digitais de forma interativa por meio de uma tela horizontal sensível ao toque que funciona como uma interface de entrada e saída para o computador. E pode ser usada por vários alunos ao mesmo tempo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Até que ponto a tecnologia deve ser prioridade na educação?


Crédito: Diego Reis
Alunos do Curso Marly Cury, de Niterói, participam de atividade do Projeto Mixer Guri, no qual crianças podem criar suas próprias músicas utilizando um programa de computador
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou que lançará em 2012 um novo programa que irá distribuir tablets nas escolas. A intenção da pasta é adquirir 600 mil aparelhos para utilização de professores do ensino médio de colégios públicos das redes federal, estadual e municipal. O custo previsto está entre R$150 milhões a R$180 milhões.

A compra de tablets para uso nas escolas públicas vai de encontro a outro programa do Ministério da Educação, criado há alguns anos. O “Um computador por aluno”, que visa à distribuição de notebooks, mas que não teve o apelo e o sucesso esperado.

A iniciativa no plano federal leva a questionamentos comuns quando o assunto é introdução de tecnologias no processo de ensino. A primeira é em relação ao que efetivamente deve ser prioridade para os professores. Ninguém discorda que instrumentos como tablets, netbooks e notebooks podem ajudar a incrementar o processo de ensino. Mas, a questão é se o gasto com estes recursos deveria ser prioritário em um país onde muitas cidades e estados não pagam, sequer, o piso nacional do magistério, cujo valor, estima-se, que ficará próximo dos R$1.450, para 40 horas semanais, que, por sinal, é lei.

A busca por saídas para melhorar o poder aquisitivo dos professores em todo o país deveria ser prioritária, na visão de representantes da categoria. Até por isso, as primeiras explicações por parte dos representantes do MEC, de que é importante o professor, nos dias de hoje, ter acesso à tecnologia, não têm convencido as direções de sindicatos docentes da educação básica. Os sindicalistas até reconhecem os benefícios do uso da tecnologia, não só para o professor, como para o ensino, mas consideram prioridade a implementação de um piso salarial condizente com as necessidades do magistério.

Para Teresinha Machado, presidente da União dos Professores Públicos no Estado - Sindicato (Uppes), a concessão dos tablets é apenas mais uma medida paliativa. “Temos várias carências que não podem ser supridas com a tecnologia. Uma delas, e a mais importante, são os baixos salários. O piso desvalorizado é o responsável pelas inúmeras exonerações a pedido que temos acompanhado e da consequente falta de professores em disciplinas importantes e no corte de tempo de aula”, salienta.

“O que deveria ser feito é dar um salário digno”
Para a presidente, a falta de capacitação dos profissionais da Educação vem se refletindo nos resultados dos índices de avaliação. “O governo quer resultados, e quando não são satisfatórios, a culpa é transferida unicamente para o professor, mas o mesmo esquece que a escola está carente de pessoal. Não temos merendeiras, psicólogos, secretários e muitos outros trabalhadores essenciais na escola. A tecnologia é muito boa, mas ela precisa vir acompanhada de outras políticas de investimento”, reitera.

Coordenador do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ (Sepe), Claudio Monteiro compartilha de opinião semelhante. De acordo com o professor, este investimento deveria estar voltado para a melhoria dos salários, em primeiro lugar. “Não somos contra o governo fazer essa oferta, mas o que deve ser feito é dar um salário digno. O nosso reajuste deve ser realizado de uma forma que o salário não perca o seu poder de compra”, destacou o sindicalista. Para ele, os professores brasileiros, de maneira geral, têm outras demandas que são prioritárias em relação a equipamentos eletrônicos.

“O governo precisa atentar para medidas realmente prioritárias para o magistério. Os tablets não podem substituir, de forma alguma, a colocação de prática de ações que viabilizem a melhoria dos salários dos professores. Se algo não for feito a esse respeito, acabaremos com a carreira do professor”, frisa Claudio Monteiro.

Educadores: é preciso investir em estrutura

Especialista em tecnologia na educação, Wendel Freire afirma que é natural a presença de recursos inovadores para a cotidiano dos estudantes. No entanto, isso deve ter um resultado de um diálogo reflexivo entre a escola e a sociedade e entre escola e governo, o que, segundo ele, não ocorre.

“Isto porque para que uma tecnologia seja produtiva educativamente, sua necessidade precisa ser pensada e elaborada pela comunidade escolar. Mas as compras dos laptops são resultado muito mais um monólogo. Parecem mais um bom negócio para as empresas envolvidas que para as escolas. As esferas políticas relacionadas à Educação precisam se afastar de negócios aparentemente bons para negociarem com os professores a sua valorização, este sim o melhor negócio e o mais urgente”, explica.

Professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e do mestrado profissional em avaliação da Fundação Cesgranrio, Ligia Leite acredita que apenas comprar as máquinas e implantar a tecnologia não resolvem o problema da Educação brasileira. Para ela, é preciso ter uma política educacional, para que esses recursos possam ser bem implementados.

“Não basta somente comprar o tablet. É preciso criar uma política de capacitação de professores, criar condições para que os equipamentos possam ser utilizados com eficácia nas escolas, muitas delas nem têm rede wi-fi. Mas não podemos esperar tudo estar implantado e em condições para comprar a tecnologia. Assim, nunca faremos o seu uso”, opina a especialista.

“Tecnologia por si só não faz milagres”, diz educadora
A qualificação dos docentes é um ponto essencial para que essa iniciativa do MEC tenha resultado. “Acredito que soluções em Educação não precisam ser necessariamente lineares, ou seja, poderíamos ver acontecer a chegada de novas tecnologias às escolas paralelamente à capacitação tecnológica dos professores. Mas isso não ocorre, ao menos não de maneira suficiente, e, pior, os suportes tecnológicos chegam às escolas como um fetiche de redenção”, lamenta Wendel Freire.

Ligia Leite ressalta que a tecnologia não tem utilidade se não houver profissionais capacitados para manusear os equipamentos. A professora destaca que nem todos os professores se acostumam com grandes inovações, buscando outras formas de transmitir o conhecimento.

“A tecnologia por si só não faz milagres, assim como o quadro negro não fazia. Mas precisa ser utilizada dentro de um projeto pedagógico, com materiais adequados. O que muda são as pessoas que os utilizam. Não adianta apenas equipar, mas o que é feito com essa tecnologia, a pedagogia utilizada. Nem todo mundo se identifica com essa linguagem, tem gente que prefere digitar, escrever, ler. São diferentes maneiras de construir conhecimentos”, garante a docente.

O especialista em tecnologia na educação completa: “Se entregarmos caderno e caneta a um aluno de classe de alfabetização, ele não começará a escrever do nada. Há um processo de ensino-aprendizagem envolvido e é nele que as políticas públicas deveriam focar, dando a toda comunidade escolar condições efetivas de sucesso. Tecnologias digitais podem significar sucesso, provocar reflexão e autoria por parte dos alunos e professores, mas não pela simples presença”, finaliza.

Ministro defende investimento
O projeto de compra de tablets para professores foi um dos primeiros anunciados pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Pela proposta, está previsto o investimento de cerca de R$150 milhões para a compra de 600 mil equipamentos do tipo, para uso dos docentes do ensino médio de escolas públicas federais, estaduais e municipais. A ideia é que os equipamentos sejam entregues às escolas no segundo semestre.

O objetivo, segundo o ministro, é promover, a partir do projeto Educação Digital - Política para computadores interativos e tablets, a instrumentação e formação de professores e gestores para o uso das tecnologias de informação e comunicação.

“Estamos definindo que, na educação, a inclusão digital começa pelo professor”, disse Mercadante. Para isso, segundo ele, o MEC já formou mais de 300 mil professores em tecnologias da comunicação e informação, em cursos de 360 horas. Além disso, o serviço de internet banda larga foi instalado em 52 mil escolas públicas urbanas.

Segundo o MEC, os professores e escolas terão acesso, por meio dos tablets, a conteúdos educacionais colocados à disposição no Portal do Professor. Desta forma, serão proporcionadas 15 mil aulas, criadas por educadores e aprovadas por um comitê editorial do Ministério.

Apesar disso, o programa vem recebendo uma série de críticas. A maior parte delas se baseia no argumento de que faltaria ao MEC uma instrução pedagógica clara. No entanto, durante a cerimônia de posse da nova diretoria do Conselho Nacional das Instituições da rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), ocorrida no dia 6, Mercadante rebateu as críticas. Na ocasião, ele teria dito considerar impressionante a resistência ideológica que ainda existe em relação ao debate sobre incorporação das novas tecnologias ao ensino e salientou que em praticamente todas as profissões a tecnologia da informação está presente.

Segundo ele, o plano pedagógico será criado na prática. “Quanto mais rápido o Brasil aprender a usar essa tecnologia, tanto mais nós nos prepararemos para a sociedade do conhecimento. Aprender com o computador e com o tablet é parte do esforço da escola. Quanto mais rápido o Brasil aprender a usar essa tecnologia, tanto mais nós nos prepararemos para a sociedade do conhecimento”, completou.

Fonte: http://www.folhadirigida.com.br/fd/Satellite/educacao/reportagens-especiais/Ate-que-ponto-a-tecnologia-deve-ser-prioridade-na-educacao-2000005633772

terça-feira, 20 de março de 2012

Conteúdo educacional de qualidade para Tablets. Como e quem?

Já falamos sobre o desejo da Apple de revolucionar o mercado dos livros digitais aqui. Já discutimos a relação em disponibilizar tecnologia e formar os professores, bem como já abordamos municipios que já estão disponibilizando tablets no ano de 2012 na corrida para um processo ensino aprendizagem eficaz.
Agora gostaríamos de trazer exemplos concretos, tanto da iniciativa privada como da pública, de conteúdo educacional de qualidade para tablets, afinal produzir esse tipo de conteúdo requer equipe especializada, investimento alto e a responsabilidade em não apenas transpor o conteúdo impresso.
Vem com a gente?
A Editora Abril lançou sua loja virtual com livros, revistas e jornais virtuais para Ipad. A iba oferecerá 5 revistas, 10 livros e um jornal por dia gratuitamente a quem se inscrever na loja.
Conteúdo para ensino médio? A editora Moderna investiu na Moderna Plus. Confira aqui.
E vocês, conhecem alguma editora comprometida com conteúdo de qualidade? Enviem sugestões e poderemos aquecer essa discussão.
Até a próxima!
Renata Furtado
Fonte: http://teceducacao.com.br/conteudo-educacional-de-qualidade-para-tablets-como-e-quem

segunda-feira, 19 de março de 2012

A tecnologia não nos salvará (por enquanto)



A ideia de um laboratório de informática, um lugar aonde se vai para estudar computação, é uma estupidez: ou o computador está presente em sala de aula e é apreendido por professores e alunos como parte da matéria, ou é inútil

Computador na sala de aula é bom,  mas nada substitui um professor bem  preparado e com proposta pedagógica sadia
Computador na sala de aula é bom,  mas nada substitui um professor bem  preparado e com proposta pedagógica sadia (Roberto Setton)
Durante décadas, o Brasil ignorou suas carências na área educacional. Hoje, quando há falta de gente qualificada e superlotação de presídios, consolida-se a percepção de que o país não progredirá sem uma melhora radical no setor. Vem também a percepção de que esse é um problema gigantesco e urgente, cuja solução por vias normais levará tempo e demandará muito esforço. Surge então a busca por uma “bala de prata”, uma solução potente e rápida que nos permita atalhar o caminho. A bola da vez é a tecnologia.
Apesar de ser um entusiasta das novas tecnologias, uma busca na literatura empírica me obriga a concordar com um empresário que dizia: “Eu acreditava que a tecnologia podia ajudar a educação. Mas tive de chegar à inevitável conclusão de que esse não é um problema que a tecnologia possa ter a esperança de resolver. O que há de errado com a educação não pode ser solucionado com tecnologia”. Seu nome? Steve Jobs.
A primeira saída milagrosa proposta por alguns de nossos líderes é simplesmente a distribuição de hardware nas escolas. O tablet criado por Jobs é uma das ondas do momento: nosso Ministério da Educação vai gastar 150 milhões de reais neste ano na distribuição de 600 000 engenhocas a professores. Perguntei ao MEC quais os estudos que embasam a ideia de que a distribuição desse material terá algum impacto sobre a qualidade do ensino, mas não houve resposta. Nem poderia. Praticamente toda a pesquisa sobre o assunto, não apenas no Brasil como no exterior, mostra que não há relação entre a presença de computadores na escola e o aprendizado do aluno. Imagine então um aparelho dado ao professor. O programa surgiu por vias tortas. A primeira intenção era distribuir laptops a todos os alunos da rede pública. Mas a experiência internacional tem mostrado que essa medida é muito custosa e pouco eficaz, a ponto de cidades americanas que a implementaram já a terem cancelado há anos. Os alunos estavam usando os computadores para colar em provas e baixar pornografia. Mesmo no Brasil, o estudo sobre o impacto do programa Um Computador por Aluno em sua fase piloto mostrou que só se beneficiavam do laptop aqueles alunos que o levavam para casa; aqueles usados apenas na escola não produziam melhorias no aprendizado. O MEC fez então essa mudança de curso e resolveu destinar a verba aos professores, em uma medida que certamente agradará à categoria mas não tem sustentação na pesquisa nem na lógica.
No mesmo momento em que Brasília anunciava a medida, o governo do estado de São Paulo mostrou que desperdício pouco é bobagem. Ao mesmo tempo em que briga na Justiça para não cumprir a (inócua, diga-se) lei do piso salarial dos professores, o estado divulgou um investimento de 5,5 bilhões de reais, ao longo de dez anos, para equipar suas salas de aula com lousas digitais. Chama atenção a envergadura do projeto, em um momento em que também há farta divulgação de que experiências pioneiras nos EUA têm mostrado que os distritos que receberam essas máquinas vêm tendo desempenho pior do que a média de seu estado. (Toda a bibliografia mencionada neste artigo está na íntegra em twitter.com/gioschpe.) Para não ser leviano, pedi à Secretaria da Educação que enviasse os estudos que embasam essa decisão. Inacreditavelmente, o material encaminhado foi uma carta do presidente da Dell, fornecedora das lousas, remetida ao secretário da Educação com um resumo de suposto estudo da Unesco demonstrando o impacto positivo da tecnologia em projeto piloto na cidade de Hortolândia. Depois de dias pedindo para receber esse estudo, a secretaria me informou que não o possuía (!). O que leva a crer que tomou uma decisão bilionária com base em uma carta do principal beneficiário do programa.
Acompanhando essa obsessão já consolidada por maquinário, surge uma nova esperança de revolução educacional através do ensino a distância. Seus proponentes sonham com um cenário em que os melhores professores do Brasil dão uma aula e ela é acompanhada por milhões de alunos, quer em sala de aula, quer em casa, aprendendo em seu próprio ritmo. Assim nos livramos dos maus professores, cortamos gastos e imediatamente damos um salto na qualidade do ensino ofertado. Que eu saiba, nenhum lugar do mundo implementou sistema assim na educação básica, de forma que não há estudos para comprovar a exequibilidade desse plano, mas tenho fortes suspeitas de que é inviável. Se fosse possível simplesmente transmitir conhecimento remotamente, a televisão já o teria feito. A ideia é mais antiga ainda: em 1925, Thomas Edison, o inventor da lâmpada e do fonógrafo, previa que a presença de livros em escolas estava prestes a acabar: seriam substituídos por filmes. A tese segundo a qual a educação é um processo unidirecional de transferência do conteúdo do professor para o aluno é equivocada. Mesmo sem entrar em discussões pedagógicas, que não são a minha praia, os estudos econométricos mostram que muitos dos principais fatores de uma escola de sucesso — como a realização e a correção de dever de casa, provas constantes, formato pergunta e resposta em aula — dependem de interatividade e atenção ao progresso do aluno. O bom professor precisa conhecer profundamente a matéria que ensina e, além disso, modular constantemente a maneira como a transmite, levando em conta o estágio de aprendizado de seus alunos. Mesmo que a internet tenha a interatividade que a TV não tem, é patentemente impossível que um professor interaja com milhares ou milhões de alunos.
Uma terceira área em que a tecnologia pode ajudar a educação é através de redes sociais, para que alunos e professores se auxiliem mutuamente. Desconheço pesquisas a respeito, dada a novidade da tecnologia, mas o potencial é tremendo. Porém o fundamental certamente não é a tecnologia, e sim a decisão que a antecede: na China, professores se reúnem constantemente em suas escolas e, depois, em seu distrito para trocar ideias e melhores práticas. O Brasil poderia fazer o mesmo. A tecnologia pode facilitar e potencializar esse convívio, mas não é necessária nem suficiente para o seu surgimento.
Por último, uma área que tem mostrado resultados positivos em educação é a da utilização de softwares específicos para o aprendizado, especialmente no campo da matemática. As intenções dessa utilização não são revolucionárias, nem os resultados, mas pelo menos aí há evidências positivas. Algumas delas estão postadas no meu Twitter.
O fracasso da tecnologia em sala de aula, vinte anos depois do seu início, não quer dizer que ela não possa trazer resultados no futuro. Há um consenso na literatura de que inserir elementos tecnológicos usando o mesmo currículo e com a mesma pedagogia — como normalmente são desenhados esses programas — é um desperdício. A própria ideia de um laboratório de informática, um lugar aonde se vai para estudar computação, é uma estupidez: ou o computador está presente em sala de aula e é apreendido por professores e alunos como parte da matéria, ou é inútil. A tecnologia é uma ferramenta pedagógica, assim como o quadro-negro e o livro didático. Talvez mais poderosa, mas ainda assim apenas uma ferramenta, que trará resultados se for usada por um professor preparado em proposta que faça sentido pedagógico. O melhor software em educação continua sendo, disparado, o cérebro de um bom professor.
Não duvido de que um dia tenhamos máquinas que passem no teste de Turing, demonstrando inteligência indistinguível da de um humano. Até esse dia chegar, nossa batalha precisa ser a de ter bons professores dando boas aulas, sem pirotecnias ou geringonças. O fato de o Brasil estar embarcando em mais esse diversionismo é sintomático da falta de foco, de lógica e de ambição que domina nosso diálogo nesse setor. 

Gustavo Ioschpe


Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/a-tecnologia-nao-nos-salvara-por-enquanto

sábado, 17 de março de 2012

Quando realmente compensa utilizarmos tecnologias digitais na educação?


Em muitos momentos culpamos a tecnologia por ser complicada ou por não atender às nossas necessidades, mas é necessário enxergar que ela em si não pode ser a heroína ou a vilã da história. O papel do professor como mediador da aprendizagem é o mais relevante; é sobre ele que devemos refletir o tempo todo, inclusive para decidir quando usar ou não um determinado recurso.Há que se reconhecer como um grande desafio o próprio uso das tecnologias na educação: basta lembrar que existem escolas que, embora ofereçam inúmeros recursos aos alunos, ainda permanecem com laboratórios de informática fechados e equipamentos guardados.
O uso pelo uso da tecnologia pouco nos interessa: sem refletirmos a respeito da relevância de um ou outro recurso para o trabalho, continuaremos engatinhando na questão mais relevante:  a melhoria da aprendizagem. Por essa razão, gostaria de listar algumas situações bem comuns com as quais já me deparei e propor uma nova reflexão a respeito. Antes, ressalto ainda que muitas vezes trabalhamos demais e rendemos de menos quando optamos por uma prática focada apenas no esforço do professor e não na superação pela qual os alunos devem passar para que aprendam mais e se sintam desafiados. Vamos às análises:
  • Preparar aulas para os alunos utilizando o computador
O preparo de “atividades” – seja no Excel, Power Point, ou mesmo em aplicativos específicos  como JClic – toma um certo tempo do professor e, dependendo de como isso for feito, os alunos acabam resolvendo rapidamente a atividade e encontrando poucos desafios. Eu mesma já fiquei encantada com algumas produções minhas que envolviam software de autoria, até perceber que dependendo da proposta gastamos muito tempo para pouco resultado.
A grande questão é que os alunos precisam ser mais desafiados e todas estas tecnologias são muito simples para eles. Se o objetivo é que aprendam algo novo ou sistematizem algum conhecimento, por que criarmos apenas joguinhos se eles mesmos poderiam desenvolvê-los utilizando todos estes programas? Os alunos apresentam muita facilidade no uso das TIC, porém raramente são colocados em situações em que precisam criar perguntas e planejar respostas adequadas, o que é bem mais desafiador do que simplesmente resolver uma atividade de perguntas e respostas. Que tal propor que criem aulas interativas utilizando alguns softwares adequados e as troquem com os outros colegas?
Todos os anos participo como jurada de um concurso promovido pelo Visual Class, software de autoria em que os alunos criam aulas a partir de pesquisas e compartilham o conteúdo produzido com outros alunos. Com esse software, eles mesmos contam como aprenderam a utilizar o aplicativo e o que aprenderam sobre o assunto pesquisado. Em experiências como esta, não é o professor que se preocupa com a tecnologia e sim os alunos que aliás,  fazem isso muito bem. O papel do professor é justamente de orientador da aprendizagem, com foco no currículo e em todos os aspectos pedagógicos necessários para que a produção a ser feita seja coerente com os objetivos propostos.
  • Trabalhar atividades interativas com os alunos
Antes de criar qualquer material, é preciso avaliar o que já existe. Atualmente temos diversos portais que organizam objetos educacionais e podem ser utilizados com os alunos. Muitas dessas atividades podem ser bem interessantes, mas sozinhas geralmente não são suficientes para garantir as necessidades de aprendizagem propostas pelas diferentes escolas. Sempre é preciso pensar como ir além do que foi proposto e que tipo de produção os alunos poderão realizar. Se o aluno apenas resolver as atividades, logo esquecerá o que foi trabalhado.  Alguns portais disponibilizam planos de aula com o objetivo de ampliar o uso dos objetos – vale a pena consultá-los, adaptando-os à realidade de cada turma.
Em alguns momentos, a exploração de uma atividade interativa pode contribuir como uma sensibilização para um determinado tema ou assunto. Quem sabe o professor não consegue organizar um trabalho mais aprofundado em que os alunos possam mais tarde construir animações, vídeos ou objetos interativos que sejam aproveitados por toda a escola? O professor Guilherme Erwin Hartung criou uma metodologia para isso utilizando um software bem bacana desenvolvido pelo MIT , chamado Scratch.  Com este trabalho já foi finalista de dois prêmios (Microsoft e Instituto Claro).
  • Corrigir textos que serão publicados ou apresentados pelos alunos
Elaborar atividades coletivas em blogs, jornais escolares e apresentações são uma ótima proposta, porém os processos de orientação da pesquisa, análise de informações, produção de texto e publicação são desafiadores para professores e alunos.
Há muitos educadores que preferem levar toda a produção feita pelos alunos para correção fora da presença deles. Além de bastante trabalhosa para o professor, a atitude pouco ajuda a turma a aprimorar seu trabalho. O ideal é realmente valorizar os processos de produção de texto, orientando-os durante a própria aula e incentivando que um ajude ao outro. Um checklist com todos os aspectos que deverão ser revisados na produção pode ser utilizado, o que fará com que fiquem mais atentos à própria produção e também à possibilidade de colaborarem com os demais colegas, aprendendo muito mais.
Se passar um ou outro “erro”, a grande vantagem da web é justamente a possibilidade de poder corrigi-lo a qualquer momento. Um texto publicado na internet nunca é perfeito, pois sabemos que sempre poderá ser modificado, aprimorado… Uma pena é que não guardamos este histórico como acontece na Wikipedia, que tem o grande mérito de deixar registrados online os processos de aprimoramento dos conteúdos produzidos por diferentes pessoas.
Grande parte dos blogs educativos, por exemplo, apresentam textos de qualidade surpreendente para a faixa etária da turma envolvida, mas até que ponto os alunos puderam aprender com a experiência? Que tipo de trabalho foi feito para que os alunos refletissem sobre o próprio processo de aprendizagem e buscassem aperfeiçoar suas produções?  Quando são focados no trabalho do professor e não do aluno, esses processos de correção sobrecarregarem os educadores e pouco ajudam na aprendizagem.
  • Propor uso de software ou site que o professor conhece
Geralmente acreditamos que devemos usar com os alunos apenas softwares ou serviços da web que dominamos tecnicamente, ou que aprendemos em algum curso. Essa estratégia somente dá certo quando o recurso realmente é o mais adequado para atender a objetivos já previstos no currículo e, ao mesmo tempo, é o melhor para atender às necessidades da turma.
Um exemplo é o uso do blog como plataforma de compartilhamento das produções dos alunos ou registro dos processos de aprendizagem. Acontece bastante, porém, de este recurso ser utilizado porque alguém acha que é “inovador” ou porque o professor aprendeu tecnicamente a criá-lo. Uma alternativa seria pedir que os alunos pesquisassem e sugerissem outras formas de compartilhamento das suas produções.
Pode ser que o ideal seja discutir um determinado conteúdo em uma rede social, ou produzir um blog colaborativo, ou um jornal mural… Pode mesmo ocorrer de o melhor ser não utilizar nenhuma dessas tecnologias, pois determinado projeto pode ser mais interessante se houver uma apresentação para a comunidade encenada em forma de peça teatral ou apresentação multimídia.
Insisto no entendimento de que a inovação não está no fato de levarmos um blog, um vídeo, o Scratch ou qualquer outra tecnologia  para a sala de aula, e sim no uso que fazemos desses recursos.
Outro exemplo: durante uma oficina de vídeo que ministrei no Colégio Visconde de Porto Seguro, uma professora iniciou a produção de animações a partir de desenhos dos alunos e de um roteiro de conto colaborativo, também totalmente produzido por eles. Ora, o vídeo por si só não é inovador, mas envolver os alunos em todas as etapas da produção, dentro de uma necessidade de aprendizagem e enriquecendo o trabalho com a produção de uma atividade de relevância social, é inovador para aquele contexto e para os alunos.
Nesse exemplo, a maior parte do tempo de dedicação do trabalho da professora foi investido em orientar e provocar os alunos para produzirem materiais. Imaginem quanto tempo ela gastaria se fosse escrever o roteiro, produzir as imagens e narrar o vídeo para ensinar algum conteúdo? Estratégias como estas permitem que o professor tenha mais foco no trabalho pedagógico e use as tecnologias adequadas no momento em que mais precisam delas, de acordo com as demandas da aula.
  • Não sair da frente da lousa
A lousa tradicionalmente é reconhecida como um instrumento do professor. Em escolas em que trabalhei anos atrás, bom professor era aquele capaz de utilizar a lousa “passando bastante conteúdo”. Bom aluno era o que atendia também a esta expectativa, ou seja, copiava tudo bonitinho no caderno e prestava atenção.
Em outro extremo, às vezes não percebemos e ficamos muito encantados com tecnologias que parecem novas, mas não são nem tão novas assim, como é o caso da lousa digital. Obviamente os recursos que hoje temos nas lousas digitais são suficientes para gostarmos mais delas do que da lousa comum, mas não foram suficientes ainda para pararmos de utilizá-la da mesma forma que era empregado o quadro negro (ainda que eu pense que mesmo a antiga lousa pudesse ser usada de outra forma, tal como o mimeógrafo e o episcópio, abordados no artigo anterior).
O que ocorre é que a lousa digital é tão interessante que realmente poderia ser usada de forma mais interativa. Se os alunos gostam tanto dela, nós professores poderíamos provocá-los para que interagissem mais com os seus recursos. Atividades simples como propor desafios, navegar na web e fazer explicações em público deveriam ser mais utilizadas.
Outro aspecto a ser repensado são os conteúdos digitais expostos na lousa. A grande maioria é feita pensando na lógica dos computadores em laboratório de informática (ou mesmo em netbooks). Esta é uma falha imperdoável, pois para que a aula seja interativa as atividades precisam propor a resolução de desafios que sejam resolvidos em diferentes grupos, caso contrário o professor será um mero “passador de conteúdos digitais”, com a diferença de que ao invés de escrever na lousa vai apertar apenas os botões de avançar e voltar.
Temos realmente que avaliar o tempo gasto e os resultados efetivos de algumas atividades pedagógicas que realizamos. Será que estamos atendendo a objetivos menos importantes do que a aprendizagem dos alunos? Será que estamos realmente propondo situações desafiadoras à nossa turma ou meramente reproduzindo o que alguém já fez ou o que dizem que é “bom fazer”?

Fonte: http://blog.aticascipione.com.br/eu-amo-educar/quando-realmente-compensa-utilizarmos-as-tecnologias-digitais-na-educacao